sexta-feira, 11 de março de 2011

Viciado em quê?

Fiódor Dostoiévski, famoso romancista russo, foi um jogador compulsivo. Perdeu muito dinheiro em jogatinas e casas de apostas. Já a compulsão do ator norte-americano Michael Douglas era outra: internou-se em uma clínica para tratar uma forte dependência de sexo. Na Espanha, um homem pediu o divórcio alegando que sua esposa passava todo o tempo livre jogando vídeo game. Segundo ele, a mulher estava mais preocupada em fugir do pac man do que em cuidar da casa.


O que leva uma pessoa saudável a se tornar escrava de um vício? O que separa um comportamento natural de uma compulsão? Psicólogos afirmam que qualquer hábito pode vir a ser um vício quando praticado em uma rotina compulsiva, tornando-se tão irresistível e destrutivo quanto as drogas ou a bebida. As marcas de uma pessoa compulsiva são quatro: ela sempre perde o controle quando se entrega à atividade; sofre síndrome de abstinência quando não a realiza; sua dependência cresce com o passar do tempo; perde o interesse por tudo, menos pelo vício. Como frequentemente se observa, vícios trazem inúmeros problemas, e não só para os viciados: dívidas, distúrbios familiares, aumento da criminalidade, entre outros. Como vencer tais hábitos nocivos, e como ajudar a outras pessoas que também enfrentam a mesma dificuldade? A Bíblia pode fornecer algumas respostas.

“Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo, e se escoa suavemente. Pois ao cabo morderá como o basilisco. Os teus olhos verão coisas esquisitas, e o teu coração falará perversidades.” (Provérbios 23:31-33). Nesse texto, Salomão adverte sobre os perigos da bebida alcoólica, e como ela facilmente afeta a percepção e a capacidade de se tomar decisões corretas, além de provocar inúmeros acidentes trágicos. O alcoolismo pode e deve ser tratado: grupos de apoio, medicamentos, auxílio especializado, todas são alternativas válidas. Deus quer que seus filhos estejam sempre em perfeita saúde mental. É nosso dever cuidar do nosso corpo, pois ele é o “templo do Espírito Santo” (I Coríntios 6:19).

Desde 1987 reconhecido pela Associação Americana de Psiquiatria como uma enfermidade, o comportamento dos “sexólatras” tem se tornado um problema cada vez mais evidente na sociedade. A facilidade de acesso a conteúdos pornográficos e o pensamento moderno de total liberdade em relação ao sexo vêm pervertendo um dos mais preciosos dons dados por Deus: o sexo foi designado para ser desfrutado no contexto do casamento, como fonte de alegria, proximidade e unidade. (ver Provérbios 5:18 e 19, I Coríntios 7:2-5). Em meio a tantos exemplos de imoralidade sexual, não podemos nos esquecer dos desígnios de Deus, e também de que Ele é capaz de prover libertação para aqueles que se encontram presos a esse e a outros vícios.

Outra advertência feita pela Bíblia se refere ao desejo incontrolável por ganhar mais e mais dinheiro. “Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário”, pediu Salomão em Provérbios 30:8. Devemos cuidar para que a busca por riquezas não atrapalhe nosso relacionamento com Deus, como aconteceu ao jovem rico de Marcos 10.

Quantos mais exemplos poderíamos citar de pessoas viciadas em trabalho (workaholics), em obter beleza pessoal, em estudos, filmes, compras, comidas, e muitas outras coisas! Qualquer comportamento de compulsão facilmente nos afasta de Deus. Felizmente, ele nos promete libertar de qualquer escravidão (João 8:36), e espera que possamos desenvolver cada vez mais hábitos saudáveis, a fim de que também ajudemos a outros que estão em problemas. Você conhece alguém que tenha passado por alguma experiência com vícios? Como você tem ajudado? Compartilhe sua história conosco!    

quinta-feira, 10 de março de 2011

A Devassidão Virou Piada no País do Carnaval

Imagine a cena: na sala de estar, a família assiste ao telejornal, quando, no intervalo, aparece a propaganda de uma marca de cerveja. A filha pequena acompanha com olhos curiosos e depois pergunta: 

- Pai, o que é devassa?

O pai, tentando encontrar a melhor definição, apela para o dicionário: 

- É uma pessoa depravada, dissoluta, libertina, licenciosa.

- E o que é uma pessoa depravada e libertina - volta a perguntar a filha. 

A coisa fica complicada. O pai fecha o dicionário e tenta sozinho, medindo as palavras: 

- É alguém que não se comporta bem... “Fica” com muitas pessoas, faz sexo sem compromisso. Essas coisas.

- A Sandy não era uma boa moça de família?

- Creio que sim.

- Ela não é casada?

- Sim, filha, a Sandy é casada.

- A Sandy é devassa?

O pai pensa um pouco, procura acompanhar a lógica da filha, coça o queixo e reponde com certa insegurança:

- Não. Acho que a Sandy não é devassa. Pelo menos acho que nunca foi.

- Então por que ela fez esse comercial que diz que todo mundo tem um lado devassa?

- Não sei. Talvez pelo dinheiro. Talvez por brincadeira. Sei lá.

- Posso brincar de ser devassa também?

No país do carnaval, quando a nudez e a baixaria viram brincadeira, por que não brincar com a devassidão? Por que não minimizar a imoralidade considerando normal o bizarro e o indecente? Os pais que se virem para explicar essas coisas para os filhos.

Não sei o que passa na cabeça da Sandy; se ela fez o comercial por “brincadeira” ou por dinheiro (será que precisa?). Não sei se ela cansou de vez da imagem de garota “certinha”. O fato é que a campanha publicitária da cerveja está dando o que falar. Virou motivo de piada no Twitter e permaneceu alguns dias nos Trend Topics como tema mais comentado (“A Sandy é tão devassa que um dia passou em frente à casa da Wanessa Camargo, tocou a campainha e saiu correndo!”, foi um dos melhores #sandyfacts que surgiram na rede social). Segundo os publicitários da agência responsável pela campanha, a intenção era justamente esta: criar repercussão e polemizar. Conseguiram. 

Em entrevista ao programa Conexão Direta do canal GNT, exibido em dezembro de 2003, Sandy disse que não gostava de cerveja: “Eu não gosto do gosto de cerveja. Não importa se é com álcool ou sem álcool. Acho amargo a cerveja. Gosto de bebidas mais docinhas.” Em resposta a essa incoerência, Sutton, sócio e diretor de criação da agência que criou a campanha, alfineta: “Será que a Juliana Paes toma Antarctica?” Segundo ele, é sabido que a Sandy não é uma bebedora de cerveja ou alguém que frequente baladas. “O conceito [nessa campanha] é mostrar que a Devassa é democrática, que até alguém que não é fã de cerveja deveria tomá-la. Nosso objetivo é conquistar novos consumidores”, diz Sutton.

Se o objetivo é mostrar que até quem não é fã de cerveja pode tomar a bebida, fica também a ideia de que mesmo quem não é devasso pode experimentar a devassidão, ainda que seja de vez em quando – no carnaval apenas, quem sabe?

Nesta semana, foi noticiado que metade dos homens tem o vírus HPV, cujo contágio se dá principalmente por via sexual. O HPV é em grande parte responsável pelo câncer de colo de útero, entre outros. A aids ainda ceiva milhares de vidas que se envolvem em sexo inseguro (como se houvesse sexo seguro fora dos limites estabelecidos pelo Criador do sexo). Pesquisa realizada anos atrás indicou que jovens envolvidos com sexo sem compromisso e sem romantismo desenvolvem depressão, baixa autoestima e até anorexia. Ficou provado que ninguém gosta de se sentir um objeto de prazer. Outra pesquisa indicou que metade dos brasileiros se diz insatisfeita com sua vida sexual, embora se apregoe na mídia em geral que o Brasil é um país “fogoso” e as revistas femininas só falem de sexo. Parece que o problema não está na quantidade.

Anos atrás, também, a revista Criativa afirmou em nota que o jogador Kaká é “sem graça” porque resolveu casar virgem. Engraçados são os jogadores devassos, que se envolvem com travestis, casam e descasam como quem troca de roupa?

A Sandy que me desculpe, mas ao emprestar sua imagem para uma marca de cerveja que promove a devassidão como se fosse brincadeira acabou prestando grande desserviço a uma geração carente de valores e que caminha para a falência moral.

Esse cenário devasso foi profetizado há muitos anos nas páginas da Bíblia Sagrada. E meu único consolo está em saber que logo isso terá fim e iremos morar num lugar em que as pessoas serão vistas como filhos e filhas de Deus, não como pedaços de carne em exibição no açougue carnavalesco da devassidão. 

Michelson Borges (publicado com autorização)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Inveja

O que você sente quando um amigo lhe relata suas conquistas pessoais, profissionais ou materiais? É fácil pegar-se desejando que ele não tivesse obtido tais conquistas ao invés de ficar feliz pelo sucesso do amigo?
A inveja é definida como “um sentimento de aversão ao que o outro tem, e que a própria pessoa não tem”. Napoleão Bonaparte já a classificava como “um atestado de inferioridade”. O sábio Salomão dizia ser a inveja pior que o furor e a ira (Provérbios 27:4). E nós, com que frequência nos deixamos ser dominados pela inveja em nossas atitudes? O que podemos aprender sobre esse sentimento com alguns personagens bíblicos?
Para o cristianismo, a inveja está na raiz do próprio pecado. Tal sentimento pôde desenvolver-se mesmo em um ambiente tão perfeito como o céu. Lúcifer, até então um “anjo de luz” magnífico, tornou-se Satanás, “enganador”, quando desejou receber honras e glórias como Deus. Em um ato de ousadia, afirmou que seria “semelhante ao Altíssimo”, dando início à longa história do pecado no universo. A partir desse momento, tornou-se muito mais fácil o surgimento da inveja nos seres criados.
No capítulo 37 de Gênesis, lemos a história de José, filho de Jacó. Claramente o filho preferido de seu pai, foi alvo de ciúmes e inveja por parte dos irmãos, que acabaram vendendo-o como escravo. A seu pai foi informado que ele havia sido devorado por uma fera do campo, e a atitude daqueles homens trouxe profundos problemas à família. A inveja é sempre prejudicial, sobretudo quando praticada entre familiares ou amigos próximos.
Em situação semelhante, Saul, rei de Israel, também foi vencido por esse sentimento. Inicialmente se mostrando favorável a Davi, colocou-o como chefe do seu exército. Viu suas conquistas militares, o quanto era bem visto pelo povo, e como a mão de Deus estava com ele. Passo a passo, foi permitindo que a inveja dominasse seu coração. Distanciou-se de Deus, terminando seus dias obcecado por matar Davi, numa demonstração de que a inveja pode provocar violência tanto psicológica (abuso verbal, calúnia, crítica) como física.
Quanto a Jesus, a Bíblia mostra claramente que o motivo de sua prisão foi inveja (Mateus 27:18). Sua pregação, simples e atraente, ia de encontro à teologia dos líderes religiosos de então. Estes, preocupados em manter o próprio poder e influência, não hesitaram em tentar silenciá-lo. Cegos pela inveja, perderam a oportunidade de usufruir da salvação trazida pelo Messias.
Frequentemente, quem tem inveja não admite o sentimento. Entretanto, reconhecer o erro é o primeiro passo para se combater a inveja. Faça uma autoavaliação, pense nas outras pessoas como amadas por Deus, aprenda a desenvolver atitudes de gratidão. Por que não analisar hoje sua vida e agradecer pelas coisas boas que existem?